Bom dia,
Espero que para o senhor seja mesmo um bom dia, porque para os habitantes de uma cidade no interior do Espírito Santo, infelizmente não será. Desde essa madrugada, quando ficamos sabendo a notícia do falecimento de uma de nossas mais queridas amigas, a cidade toda está se perguntando o que pode ter acontecido?
Edileuza nunca fez o tipo suicida e, sinceramente, acho que isso está diretamente ligado ao senhor e àquela maldita sala de chat que ela vinha frequentando há algumas semanas. Desde que ela passou a se relacionar com o senhor, notamos que havia algo estranho. Ela parecia feliz, mas ao mesmo tempo seus olhos mostravam que tinha algo errado. Na última semana, especialmente abatida, por ficar horas na internet, quando não falando com o senhor, pesquisando coisas para um trabalho faculdade, que se não me engano era para o senhor, as pessoas que a conheciam, podiam ver que ela estava triste. Ainda no domingo a convidamos, eu e minha esposa, para que fosse conosco até um barzinho, com a desculpa de tomar cerveja, apenas para tira-la de casa e recebemos uma negativa, pois ela estava de plantão no maldito pc, esperando a volta do Paulo de uma viagem que ele fizera a Curitiba. Eu sei que Paulo é o seu nome.
A Leu. como era carinhosamente conhecida, era transparente demais. E por ser assim, algumas pessoas fizeram muito mal a ela. Entendo que a minha amiga já não quisesse mais isso mas, quando ela o conheceu, tinha com ela uma certeza tão grande de que seria novamente feliz, que se atirou de cabeça, sem rede de proteção. E agora, está lá o corpo inerte e todo retalhado da minha amiga sendo velado em suas últimas horas sobre a terra. Nunca entendi bem essa coisa de bdsm que a Edileuza conheceu, embora ela nos dissesse que era muito divertido. Sempre achei perigosa isso de misturar dor ao prazer. Temia que algo ruim pudesse acontecer com ela, mas nem mesmo nos piores pesadelos que pudessemos ter, imaginavamos que seria esse o final dessa loucura. Não há outra palavra para descrever toda essa imundicie. Louca ela, loucos vocês. Ela por ter se deixado envolver com isso. Vocês por acreditarem que essa é uma forma humana de obtenção de qualquer forma de prazer.
Há quinze anos conhecia Edileuza. E há quinze anos aprendia a cada dia, a ver essa mulher como exemplo de luta, coragem e determinação. Era uma amiga daquelas que sabiamos que podiamos contar. Professora querida, filha prestimosa, irmã cuidadosa e acima de tudo, mulher digna. Sua cadeira de rodas sempre foi levada com dignidade, força e coragem. Nunca se deixou abater, até há duas semanas atrás. Vivia tudo como se tivesse obrigação de agradecer pela oportunidade que estava tendo. Pena, que minha amiga não tenha lembrado de se preservar.
A polícia esteve em sua casa e levou o micro computador dela. Se há algum indício de que esse suícídio foi algo relacionado ao tal do bdsm, garanto que a coisa não vai ficar assim. E se, mais ainda, isto estiver ligado ao senhor, alguma coisa sera feita. Não tome como ameaça a sua vida ou a sua integridade. Mas, de alguma forma, o senhor pagará por isso. Mesmo que em nosso pais a justiça muitas vezes nos pareça tão falha.
Devo dizer que constava no computador dela, como proteção de tela, estampada uma foto sua. Sei disso, porque quando eu mesmo abri seu msn, para pegar esse endereço de e-mail, reconheci seu rosto. Além disso, em seu celular, constam cinco ligaçoes feitas a um número registrado na agenda como sendo o seu, durante a madrugada, portanto, antes dela ter sido encontrada caída próxima ao local onde está seu computador, fato esse ocorrido as quatro da manhã de hoje. As evidencias apontam para uma possível participação do senhor, com tudo o que aconteceu. Se foi direta ou indireta, meu caro, so o tempo e as investigações policiais poderão dizer. Espero, sinceramente que se isso tiver que servir para algo, o que parece improvável, diante do absurdo das circunstancias, que seja para que esse tipo de prática seja abolida dos meios de comunicação. Assim, quem sabe, outras pessoas não venham a sofrer a mesma perda pela qual estamos passando.
E agora um questionamento senhor Paulo, a morte da Edileuza deu-lhe algum prazer?
Otávio F. Gomes
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
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