terça-feira, 22 de dezembro de 2009

CAPÍTULO ONZE - PARA UM LORD UMA CARTA DE AMOR

Ah meu amor, como eu gostaria de poder tê-lo conhecido em um tempo quando ainda era belo escrever cartas de amor. E quantas eu escrever-lhe-ia! Mas hoje, cartas de amor é uma mídia obsoleta.
Talvez conheça poucas pessoas. Ou talvez as pessoas que eu conheça não sejam tão amorosas assim. Mas não conheço quem, hoje em dia, ainda escreva cartas de amor. A querência pelo instantâneo e a efemeridade dos proto-relacionamentos substituíram as correspondências que demoram a chegar e precisam de interlocutores vestidos de amarelo e bolsa tira-colo. As cartas de amor não são fragmentos de um discurso amoroso dos nossos tempos.
Carregam uma carga diferente dos e-mails apressados com erros de digitação ou dos sms’s com abreviaturas bizarras. Cartas são pílulas de amor táteis, é sentimento guardável. Escrever exige tempo dedicado, rascunhos e aquele último suspiro indagando: “Será que eu mando?”.
Confessamos coisas que não temos coragem de falar ou que se faladas talvez pareçam diabéticas demais. E mesmo se forem melosas e piegas, não vemos a reação do destinatário. É proteção. Por isso nas cartas entregamos doses extras de sinceridade. Escrever cartas a mão é dar caligrafia própria ao sentimento.
Ainda assim, preciso arriscar. Ser diabética, melosa, adolescente tardia, menina apenas, que grita em meu corpo de mulher e dizer-te que a luz dos meus olhos brilha quando penso em você, não preciso te ver para que fiquem acesos e revivam. Nem tenho lábios considerados incríveis, mas quando falo sobre você eles se enchem de sangue e, inchados, denotam sensualidade e, macios, dizem o seu nome com todo o ardor. Minha pele fica um veludo quando me deito na cama e passo as mãos em mim mesma como se fossem suas. E tudo em mim denota beleza quando a esperança vem de novo e motiva a vontade de realizar a vida ao seu lado.
Um sentimento profundo reside em meu peito, coisa que não consigo modificar. As emoções se descontrolam, fico gelada, e ao mesmo tempo sinto-me quente quando deliro nas noites com seus beijos que umedecem cada parte do meu corpo. Tiro a roupa mesmo sem estar nua, é seu olhar-ficção que me desnuda. Calafrios sobem pelas costas e sei que adivinharás os pontos onde gosto de ser tocada.
Por que só você que me leva até a janela dos sonhos por caminhos nunca percorridos e mistura tua relva na minha carne impúbere macia e virginal,
por isso quero sentir um amor selvagem, animal, me leva contigo nas asas de anjo bandido se inflame de desejo na chama de meu corpo sedento.
Vem me induzir ao pecado, sacia a sede de ter-te pleno.
Induza-me aos seus anseios terrenos, anjo meu. Entre meus desejos carnais animalescos. Desejos tão loucos, que nos vão consumindo aos poucos, rasga-me a roupa em seus dentes de lobo, e o amor latente aos poucos ferro em brasa, sentindo tudo sem deixar nada. Eu quero teu amor a qualquer preço, quero-te por inteiro, os teus beijos ardentes, febris, tão doces, molhados e quentes, só meus. Vou me embriagar no perfume do teu corpo e colocá-lo encaixado junto ao meu, em sorrisos tempestuosos, nos desertos juntos à dimensões sensuais, serei seu amor pra sempre e nada mais.

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