
SENHOR,
Aqui estou eu, em final de uma noite de domingo, observando-o no msn – que agora se encontra no ocupado (e meu coração secretamente pede que assim esteja em função de sua ocupação com o estudo e não em atendimento a uma de suas tantas admiradoras). Sei que lhe havia dito que ia dormir. Mas, quis ficar mais um pouco, na sombra que fosse, apenas para olhar para seu rosto amado.
E como se estivesse perto de vós, percorro com a ponta dos dedos cada mm da figura congelada na foto. Imaginando a textura, o calor, o cheiro....
Ah SENHOR, se soubesses há quanto o espero....acho que ainda menina já o desenhava em minhas tarefas de artes, dessas que a professora manda a gente desenhar algo ou alguém que seja importante para nós. Eram seus traços que minhas mãos, ainda inseguras em função da tenra idade, ficavam registrados em meu caderno de desenhos.
Vez ou outra, abro novamente a janela do msn, para buscar na minha Grécia pessoal (minha fonte), a inspiração necessária que permita meu coração reencontrar o compasso. Sei que nesse instante desafio a morte, pois ante a simples visão do rosto adorado, tremores, frios e calores intensos passeiam pelo meu corpo. A pressão sanguinea alterna tal e qual os equalizadores quando analisam os graves e agudos de uma ópera. O coração dispara e um cavalo selvagem não poderia alcançá-lo caso estivessem disputando uma pelea. Ainda assim, ignorando todos os efeitos que admirar sua tão amada e sagrada face me causa, quando fecho meus olhos e relembro que bebi um pouco de sua sabedoria, as tempestivas mudanças no interior de meu corpo, vão aos poucos se acalmando. E novamente posso sentir o compasso certo e infinito de um coração em êxtase.
Agora mesmo abri novamente sua página no msn, e vi que estás ouvindo uma música de que gosto muito What’s Up. Fico imaginando-o em sua rotina. Seus movimentos quase felinos. Seguros, porém não apressados. Objetivos, mas não impessoais. E invejo cada capa de livro em que seus dedos tocam. Cada página que tem o minucioso exame de seu olhar. Desejo nesse instante – e não ria, por favor – poder ter tido a sorte de viver a experiência de ser um dos copos de sua casa, para que ao sorver um gole d’água, pudesse eu sentir o toque de seus lábios. O gosto de um beijo não beijado.
Ah, meu DIVINO MESTRE, ajuda-me. Indica-me com teu vasto conhecimento, onde poderei encontrar dicionário capaz de me fornecer a palavra exata para definir não só a ti, mas a mim principalmente, a natureza desse sentimento que plantaste em mim. Não posso simplesmente chamar adoração, porque isso até os iconoclastas fazem com imagens sem vida. Os hereges dedicam a animais e deuses fictícios. E és mais que isso SENHOR meu. És vida pulsante. És de matéria quente, carne e sangue.
Também de amor, não sei se posso denominar esse sentimento. Ama-se a tantos e a tudo hoje em dia. E não posso cometer o crime de inclui-lo entre os comuns, o coletivo, o simples. És único. Ímpar e inigualável.
Na falta de palavra mais adequada, permita-me usar de meus parcos conhecimentos da língua e fazer a junção de duas que se aproximam daquilo que sinto por VÓS meu SENHOR e meu TUDO.
AMORAÇÃO
Que seja assim, senhor, com a substantivação desse abstrato que eu a partir de hoje passo a me referia ao SENHOR, como meu AMORADO. E que um dia, sendo tua serva ou não, o SENHOR possa ter a certeza de que foi amado por muitas, adorado por outras tantas, mas que apenas uma o AMOROU e transformou sua carne em verbo.
Fica bem, AMORADO da minha alma.
Beijos
Eu

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